Os hospitais federais do Rio na pandemia
Seis hospitais federais, contratos com preço acima do mercado e leitos fechados na pandemia. Políticos apontam Flávio como quem mandava. Ninguém o acusou formalmente.
Acusação de políticos, sem investigação aberta. Deputados e o ministro da Saúde afirmam que Flávio controlava as indicações nos hospitais. Em agosto de 2026 foi pedida ao STF uma investigação, que ainda não foi aberta. O MPF arquivou em 2024 uma apuração sobre contratos desses hospitais.
O que está provado
- Em 28 de maio de 2019, Flávio Bolsonaro, que não tinha cargo no governo, participou de reunião com o ministro da Saúde sobre a gestão dos hospitais. O encontro está na agenda oficial do ministro. Agência Pública
- Em julho de 2019 ele criticou publicamente a escolha do diretor do Hospital de Bonsucesso, que foi exonerado menos de um mês depois. Agência Pública Brasil de Fato
- A CGU, que fiscaliza o dinheiro federal, apontou preços acima do mercado em licitações do Hospital dos Servidores: R$ 69 milhões numa compra de 2022 e R$ 18,1 milhões em remédios contra câncer em 2021. Agência Pública Correio da Manhã
- Segundo a CPI da Covid, cerca de 30% dos leitos federais no Rio, de enfermaria e de UTI, estavam fechados durante a pandemia, em grande parte por falta de profissionais. Agência Pública Brasil de Fato
- Em 13 de outubro de 2020, Flávio participou de reunião com o presidente do BNDES e o dono da Precisa Medicamentos, empresa que representava no Brasil a vacina Covaxin, depois investigada pela CPI da Covid. A reunião estava na agenda do banco e tratou de um projeto de internet. Poder360
Do que ele é acusado
- O deputado Otoni de Paula afirmou em março de 2026 que as indicações nos hospitais estavam com o grupo "cuja cabeça era o senador Flávio Bolsonaro". Agência Pública
- O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chamou Flávio de "poderoso chefão" dos hospitais federais e disse que ele montou um esquema de rachadinha política. Agência Pública
- Na CPI da Covid, em 2021, o ex-governador Wilson Witzel disse que os hospitais "tinham dono" e depois confirmou a parlamentares que falava de Flávio. Processado pelo senador, ele negou ter dito isso. Agência Pública
O que ele responde
- Em 2019, sobre o Hospital de Bonsucesso, Flávio escreveu que não tinha "nenhuma participação" na nomeação do diretor. Procurado sobre a investigação da Agência Pública, não respondeu. Agência Pública Brasil de Fato
- Sobre a reunião no BNDES, disse não ter relação comercial nem financeira com o dono da Precisa e que só pediu ao banco que avaliasse um projeto de internet para o Norte e o Nordeste. Poder360
- O MPF arquivou, em agosto de 2024, uma investigação sobre contratos desses hospitais. A CPI da Covid não o indiciou por esses fatos. Correio da Manhã
Como o caso andou
- 2019-05-28: Flávio participa de reunião com o ministro da Saúde sobre a gestão dos hospitais federais do Rio.
- 2019-07-31: Flávio critica publicamente a escolha do diretor do Hospital de Bonsucesso, exonerado menos de um mês depois.
- 2020-10-13: Reunião no BNDES com o dono da Precisa Medicamentos, empresa da vacina Covaxin.
- 2021-06-16: Na CPI da Covid, Wilson Witzel diz que os hospitais federais "tinham dono".
- 2024-08-01: O MPF arquiva uma investigação sobre contratos dos hospitais federais.
- 2026-08-26: Lindbergh Farias pede ao STF que investigue o papel de Flávio nos hospitais.
- 2026-10-01: A Agência Pública publica a investigação sobre os hospitais federais do Rio.
Ele não tinha cargo nenhum no governo, mas estava na reunião com o ministro da Saúde sobre os hospitais. Por que um senador participaria disso, se não mandava em nada?
Enquanto a CGU achava preços acima do mercado, quase um terço dos leitos estava fechado na pior fase da pandemia. Você acha normal ninguém ter respondido por isso?