A investigação que investigou quem a comandava
Dois dias depois de dizer que não ia esperar a família ser destruída, o chefe da Polícia Federal caiu. O STF barrou o substituto que ele escolheu.
Investigação encerrada sem acusar ninguém. No inquérito 4831, a Polícia Federal concluiu que não havia prova contra Jair Bolsonaro. Mas a nomeação que o STF barrou foi tratada pelo ministro como possível uso indevido do cargo.
O que está provado
- Na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, gravada em vídeo tornado público pelo ministro Celso de Mello, Jair Bolsonaro disse: "Não vou esperar foder a minha família toda", ao tratar da troca de pessoas na segurança do Rio de Janeiro. Poder360 CNN Brasil
- Em 24 de abril de 2020, a demissão do chefe da Polícia Federal, Maurício Valeixo, saiu publicada no Diário Oficial. Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça no mesmo dia. Al Jazeera Poder360
- Em 29 de abril de 2020, o ministro Alexandre de Moraes barrou a nomeação de Alexandre Ramagem para a Polícia Federal, dizendo que ela parecia ter sido feita para atender interesse pessoal, e não público — o que a decisão chama de desvio de finalidade. Supremo Tribunal Federal
- Em 4 de maio de 2020, foi nomeado diretor-geral da PF Rolando Alexandre de Souza, que era subordinado a Ramagem na Abin. Senado Federal
- Em 2022, no inquérito 4831, a Polícia Federal concluiu que não encontrou prova dos crimes atribuídos a Jair Bolsonaro e a Sergio Moro. Supremo Tribunal Federal
Do que ele é acusado
- Sergio Moro afirmou que o presidente queria alguém de confiança na direção da PF que lhe passasse relatórios de inteligência, e que essa não é função da corporação. Al Jazeera
- Para o ministro Alexandre de Moraes, a escolha de Ramagem parecia ter outro objetivo que não o interesse público. Supremo Tribunal Federal
O que ele responde
- A Polícia Federal concluiu que não achou prova dos crimes atribuídos a Jair Bolsonaro. Esta ficha publica esse resultado mesmo ele sendo favorável a ele. Supremo Tribunal Federal
Como o caso andou
- 2020-04-22: Reunião ministerial gravada: "Não vou esperar foder a minha família toda".
- 2020-04-24: A demissão do chefe da Polícia Federal sai no Diário Oficial. Moro deixa o governo acusando interferência.
- 2020-04-29: O STF barra a nomeação de Ramagem, dizendo que ela parecia servir a interesse pessoal.
- 2020-05-04: Rolando Alexandre de Souza, subordinado de Ramagem na Abin, assume a direção-geral da PF.
- 2022-04-27: A Polícia Federal conclui que não encontrou prova contra Jair Bolsonaro nem contra Moro.
O ministro da Justiça dele mesmo saiu do governo acusando o presidente de interferência política na Polícia Federal. Quando é o próprio ministro que fala isso, não dá pelo menos para desconfiar?
E quem disse depois que não houve nada de errado foi a própria Polícia Federal — a mesma cujo chefe tinha sido trocado naquela confusão. Você confiaria numa investigação feita assim?